segunda-feira, 27 de abril de 2009

qUaL o LugaR da aRTe?

Se eu pudesse acabar com essa retórica idiota, vinda de uma classe dominante, que é inclusive quem promove o circuito artístico mundial, eu diria: A Arte não tem lugar. Não tem mesmo, porque a condição de ser Arte é tão relativa quanto a resposta a essa questão. Ser Arte implica gosto particular, estética da época e do próprio artista e milhões de questões de abordagem pessoal e social. Essas que também são questões que se aplicam à pergunta que dá origem a essa postagem.
O que tilintou aqui na minha cabeça mesmo não foi a resposta a essa pergunta, mas fazer uma outra pergunta: De onde emana a Arte? Não há dúvida de que as galerias são pedras de gelo sempre fedendo a tinta fresca feitas pra poucos e que a Arte não é para o povo, sabe por quê?
Porque a Arte que vejo por aí por vezes é massiva, por vezes é segregacionista, fechada. Curioso é que nesses dois casos, que não são os únicos, é claro, não é do povo que brota a produção estética. Uma pequena classe de privilegiados produz, e o povo, o povo mesmo, nem vê os videos de Fulaninho de Tal ou as instalações de Cicraninha.
Fato é que mesmo que Arte vá pra rua, que percorra os espaços urbanos, ela corre o sério risco de não se comunicar, de não fazer fruir, ou de simplesmente não ser bela, como defendia Oscar Wilde.
Mas por quê? Por que nossa arte não é popular? Nossa arte não é popular por quê?
Mudemos de lugar então, ao invés de mudar o lugar da Arte, mudemos de modelo, então, ou então deixemos de modelo, deixemos de fazer tipo, por que essa nossa arte tá muito complicadinha.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O Poeta


O Poeta saiu de casa
O Poeta foi amar
O Poeta...
O Poeta não sabe amar
O Poeta voltou pra casa
Mãe, quebrei a cara.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

devir

Hoje me perguntei:
"Como estou?"
então parti com fúria minha personalidade em...
Não sei quantas.
Um dos mim´s eu vi doce; percebi inclusive grande espontaneidade e vida.
Esse mim aí tomou café da manhã como um rei e venceu: foi de bicicleta pela cidade chuvosa,
olhou e respeitou velhinhos no meio da rua, trancou sua magrela numa placa de "PARE".
Um outro mim almoçou sem fome um prato sem gosto. Amou o dia nublado, tomou goles e goles
de água e sentou para ler uma teoria furada sobre abstrações científicas. Esse, ou melhor, aquele mim cansou de ser e tomou um banho com café quente. Ai! Que mim... Nascido do preto do café esse mim foi simpático; viu pequenos conhecidos pela rua e se fez feliz por poder dizer tchau!
Aí cansou... Morreu.
Nasceu um mim de portão trancado por mil mãos. Esse mim leu, caminhou entre vagos pensamentos dispersos e perdidos e procurou motivo para ler um livro didático que tentava
provar que Literatura serve.
Aí foi... Mais um mim que não volta, decerto.
Gaguejou lá do ovo, então, um mim solene, que cruzou a perna esquerda sobre a direita (sim!
porque esse mim é hétero) e começou a cuspir palavras sem sentido numa folha pálida usando caneta de tinta azul, cor confortável e vulgar. Aquele aí não durou; ficou tão perdido que saiu de mim logo depois das primeiras conclusões a que chegou sobre a natureza, a cultura, a morte e a vida. Esses mim´s que escrevem, no entanto, são demasiado soberbos; usam palavras grandes de fôlego curto e significação vazio, ô, vazia!
Se amasiou então à primeira desculpa desenxabida baseada numa revolta sem fim e voou vazio pela pauta continuamente pálida. Teve um mim que quase bate numa menina que não pôs o celular no silencioso, exatamente quando um bom aforismo brotou da larva migrans que peguei após ter contato com fezes de um canis familiaris.
Então, um dos mim´s, talvez recentementemente nascido, ou quem sabe apaticamentemente guardado no meu cérebro, porque eu não sou nem poeta, pra ter coração...
Sim. Sim. Sem digressão! Esse mim impacientou-se, pegou o papel pálido e disse que quem mandava agora era ele, e, quando ele manda(afirmou) num tem essa de poesia não; a folha fica vazia(sem letras) mas o aluguel tá sempre em dia.
Um dia (disse um mim)
Um dia eu encontro esse fulero, escrevo um livro só das histórias besta que ele conta e duvida...
duvida que ele ainda se atreva a fechar o caderno quando eu tiver fazendo uns verso bonito.
Agora só duvido, que apareça um mim que conte esse texto em voz alta, esperando, então, que algum outro mim, lá da platéia, diga:
CLAPS,CLAPS,CLAPS.

terça-feira, 17 de março de 2009

Procura-se

O rapaz é egoísta, ateu, não é curioso, prefere o sabor salgado, não é místico, mas tem medo de alma penada. Fala sozinho, tem a mania de escrever nas paredes, adora vídeo game. Não é heterossexual, mas é machista. Sente necessidade de felicidade, mas não consegue saber como ser feliz. Quando criança, era rico e sonhava ser político. Adora combinar a meia com a camisa. É filho único de um casal de Baturité, Ceará, onde o pai tinha alguns armazéns cujo lucro fazia com que a família tivesse renda. Sua mãe cresceu aprendendo que o destino iria entregá-la a um homem a quem ela deveria seguir sem dúvidas e com total entrega. O rapaz trabalha no frigorífico para não morrer de fome; não é leal; pensa nos quem não tem um lar, porque sente inveja do desprendimento de não ter para onde ir e poder sempre nunca chegar. É intolerante; faz músicas feitas de palavrões quando se sente feliz; se sente míope quando fica triste. Se apaixona várias vezes por algumas mulheres no meio da rua. Adora andar de bicicleta, porque sua mãe odeia que ele faça isso. Escuta música num discman. É impulsivo e se comunica com o mundo quando este o assusta. Acredita no amor. Adora Álvaro de Campos, principalmente em sua segunda fase,cuja poesia se fundamenta num cansaço profundo. Concorda que as árvores não são máquinas de fazer sombra. Adora as lagartixas pela utilidade: elas comem as baratas; aceita opiniões, mas não as escuta, porque ocupa sua mente tentando refutá-las. Já pretendeu ter uma moto. Vota em todas as eleições. Fugia de casa todos os dias quando tinha sete anos. Não sabe qual o seu maior defeito, mas admira muito os maiores defeitos de outras pessoas. quando leu As palavras chegou à conclusão de que era alienado como o protagonista e rasgou livros até cansar. Quando criança teve transtorno déficit de atenção não diagnosticado. Odeia segundas-feiras, desde que não haja nada para fazer nelas. Sente muitas dores nas costas, mas já se acostumou a elas. Possui muita força. Sonhou que morria arreado em um balcão, após tomar muita cachaça, sozinho, num carnaval. Por sinal, ele adorava o carnaval. Adorava.